No meio de vários assuntos em que pensava e trabalhava, entre algumas reflexões, cruzei-me com uma artigo de Diogo Agostinho no Económico. No artigo, muito interessante, ressaltam dois temas fundamentais, principalmente nos dias de hoje: pessoas e ideias.
O artigo com o título sugestivo de "Ouvir, ouvir e ouvir", o autor destaca uma acção que pouco ou nada é aplicada nas organizações em geral, pelo menos no nosso país. Claro que existem casos de sucesso, casos onde esse tipo de actividade é praticada e com claros benefícios e resultados, mas na maioria dos casos não é assim.
O artigo chama a atenção para uma realidade espelhada no funcionamento de muitas organizações, empresas que tendo como recurso mais valioso os seus próprios recusos humanos, apostam em tecnologia, focam no negócio ou marca, descurando as pessoas e o seu verdadeiro valor, a sua importância. Como Diogo Agostinho (e muitos outros autores) afirma "Por muitas voltas que se dê, por mais tentativas de encontrar qualidades em marcas e negócios, são as pessoas que fazem as empresas".
Pessoas e ideias são portanto duas temáticas, dois elementos essenciais numa organização, embora praticamente descurados, mas pior do que isso é verificar que assim os recursos das organizações estãosub-utilizados, a criação de valor fica aquém das possibilidades e as envolvência e empenho das pessoas da empresa é somente suficiente. Para alguns o suficiente é o único objectivo, mas esses alguns não querem com certeza chegar mais longe, evoluir, crescer.
A questão das ideias, intimamente ligada às pessoas e á forma como cada uma olha, sente e vive a organização, é mais do que isso, "gerir ideias é também ter a capacidade de compreender e conquistar os colaboradores. (...) É o trato humano que leva a uma eficaz gestão de ideias".
O autor remata o artigo com um parágrafo que mais do que ser replicado deveria ser lido repetidamente, bem absorvido, deveria ser implementado: "Gerir ideias é liderar, é envolver, é ouvir. E que falta faz a muito gestor, patrão ou líder político ouvir em seu redor. Ouvir o seu colega de administração ou ministro, ouvir o seu assessor ou o seu motorista, ouvir bem quem seja arrojado ou enfadonho. Ouvir para pensar para depois sim, justificar o seu salário e executar".
Eu remato este texto com a convicção que a gestão de ideias, bem como o papel dos recursos humanos nas organizações deve ser melhorado e maximizado, mas deixo a pergunta: Está alguém a ouvir?
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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Allô? Está alguém a ouvir?
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domingo, 17 de junho de 2012
Planeamento Estratégico e a Sustentabilidade
Mais um excelente artigo de opinião de Miguel Setas, lido no Económico online intitulado "Em busca da Estratégia Perdida", desta vez focado no planeamento estratégico.
Sublinha a noção de dois grandes empresários brasileiros que basicamente
recusam o planeamento estratégico actualmente, afirmando que «"são uma
forma de destruir valor" nas empresas e que têm um papel essencialmente
"motivacional"». O autor não concorda com esta noção, nem eu, já
que não ter estratégia é praticamente como navegar à deriva, e nem preciso de
ser fundamentalista. Por outro lado, aceita com o facto de termos de evoluir em
relação aos processos de gestão e estratégia do século passado, especialmente
na forma cega de confiar e seguir esses mesmos processos.
Relativamente aos novos caminhos a serem trilhados, Setas aponta para um
caminho que, na minha opinião, vai ao encontro da temática da Sustentabilidade,
nomeadamente no campo social, ou seja focado nas pessoas. Miguel Setas sugere
que «Agora, nestes tempos de incerteza, o que parece ser o caminho unânime é
o aproveitamento da "sabedoria coletiva", através do chamado
"crowdsourcing". Por conseguinte, os novos processos de formulação
estratégica são coletivos e abertos à participação de múltiplos stakeholders,
tanto internos como externos, em vez de funcionarem apenas no circuito fechado
dos Conselhos de Administração e das firmas de consultoria.»
Para mim a estratégia é essencial, e se for trabalhada junto dos
stakeholders, especialmente com a participação dos colaboradores, não só se
integra transversalmente toda a organização na busca de interesses comuns, como
também consegue-se motivar e estimular toda a equipa.
O futuro está sem dúvida no foco, mas também no
equilíbrio, dos 3 pilares da sustentabilidade: o económico, social e ambiental.
Mas se nas últimas décadas o foco tem estado entre a dimensão económica e a
ambiental, estando o desenvolvimento desta temática concentrado na mitigação,
em conceitos como a pegada ecológica, tem se descurado a dimensão social,
esquecendo de certa forma as pessoas. Desta forma é necessário reforçar o
desenvolvimento da dimensão social, o foco nas pessoas, interna e externamente
às organizações, a devida atenção às comunidades, às parcerias e sinergias, aos
stakeholders como participantes envolvidos e não apenas como espectadores.
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sexta-feira, 11 de maio de 2012
Pingo Doce e o 1º de Maio: uma reflexão
Lendo o Económico online, reparei em dois artigos relacionados com a campanha do 1º de Maio do Pingo Doce. Duas questões diferentes mas a que não resisto uma reflexão.
O primeiro artigo refere-se às declarações de Alexandre Soares dos Santos, presidente da Jerónimo Martins, afirmando que «o grupo "não vai repetir este tipo de campanhas", com o argumento de que são caras». Justificava que a campanha «destinou-se a recuperar "vendas perdidas" e rendeu 25 a 27 milhões de euros».
Desde que soube da campanha achei que teria grande benefícios para a empresa em termos de vendas, mas os custos de imagem e comunicação também seriam significativos. Verifica-se, cerca de uma semana depois que as repercussões mantêm-se, focadas mais nos problemas do que no sucesso comercial.
Na minha opinião está é uma campanha que ilustra bem como uma acção comercial que, para além dos problemas de planeamento, tem prejuízos ao nível da imagem e comunicação que, pelo menos, em alguns pontos ultrapassam os proveitos comerciais.
Confirmando-se que não vão repetir este modelo, é no mínimo um sinal da atenção dada aos resultados reais por parte da companhia, ou seja, não olhando apenas para os resultados e proveitos comerciais.
O segundo artigo refere-se à reacção dos consumidores sobre a campanha através de um estudo efectuado. O artigo tem como título "Consumidores aplaudem campanha do Pingo Doce".
Ora aqui a minha questão está para além do interesse dos apontamentos que o artigo tem sobre o funcionamento da campanha, da forma como a mensagem passou rapidamente, etc. A minha questão está mais relacionada com estatística. A forma como o artigo apresenta o resultado, sublinhando que os "consumidores aplaudem", indicando que o impacto da campanha foi positivo, com 29% a dizerem que foi "favorável" e 30% dizendo que foi "muito favorável".
O meu primeiro ponto é que como é apresentado cerca de 59% dos inquiridos respondem favoravelmente, o que sendo mais de metade dos inquiridos, não me parece uma percentagem muito substancial. Numa campanha em que as lojas foram literalmente invadidas por multidões, em alguns casos quase em fúria, comprando centenas de euros em compras de cada vez, eu diria que a opinião dos consumidores ficou mais perto do favorável do que do aplauso.
Outra questão é que foram inquiridas 250 pessoas, uma amostra, mas seria interessante o artigo mencionar se as 250 pessoas foram pessoas que participaram e estiveram na enchente das lojas, ou foram pessoas que deram meia volta quando viram filas e polícia à porta de algumas lojas? Não sendo a minha intenção criticar, serve apenas para reflectir sobre o assunto mas também como nos é apresentado.
No final é questionado um especialista que aponta uma campanha deste tipo como uma "bomba marketeira"...ora para mim nem todos os sucessos de marketing ficam conhecidos pelas melhores razões, tendo por vezes consequências que fazem reverter os objectivos iniciais.
As questões da Responsabilidade Social Corporativa ou Responsabilidade Social Empresarial, na sigla inglesa CSR, podem ser facilmente identificadas, sendo que os objectivos comerciais podem por vezes chocar de frente com os valores e posicionamentos das marcas e organizações.
O primeiro artigo refere-se às declarações de Alexandre Soares dos Santos, presidente da Jerónimo Martins, afirmando que «o grupo "não vai repetir este tipo de campanhas", com o argumento de que são caras». Justificava que a campanha «destinou-se a recuperar "vendas perdidas" e rendeu 25 a 27 milhões de euros».
Desde que soube da campanha achei que teria grande benefícios para a empresa em termos de vendas, mas os custos de imagem e comunicação também seriam significativos. Verifica-se, cerca de uma semana depois que as repercussões mantêm-se, focadas mais nos problemas do que no sucesso comercial.
Na minha opinião está é uma campanha que ilustra bem como uma acção comercial que, para além dos problemas de planeamento, tem prejuízos ao nível da imagem e comunicação que, pelo menos, em alguns pontos ultrapassam os proveitos comerciais.
Confirmando-se que não vão repetir este modelo, é no mínimo um sinal da atenção dada aos resultados reais por parte da companhia, ou seja, não olhando apenas para os resultados e proveitos comerciais.
O segundo artigo refere-se à reacção dos consumidores sobre a campanha através de um estudo efectuado. O artigo tem como título "Consumidores aplaudem campanha do Pingo Doce".
Ora aqui a minha questão está para além do interesse dos apontamentos que o artigo tem sobre o funcionamento da campanha, da forma como a mensagem passou rapidamente, etc. A minha questão está mais relacionada com estatística. A forma como o artigo apresenta o resultado, sublinhando que os "consumidores aplaudem", indicando que o impacto da campanha foi positivo, com 29% a dizerem que foi "favorável" e 30% dizendo que foi "muito favorável".
O meu primeiro ponto é que como é apresentado cerca de 59% dos inquiridos respondem favoravelmente, o que sendo mais de metade dos inquiridos, não me parece uma percentagem muito substancial. Numa campanha em que as lojas foram literalmente invadidas por multidões, em alguns casos quase em fúria, comprando centenas de euros em compras de cada vez, eu diria que a opinião dos consumidores ficou mais perto do favorável do que do aplauso.
Outra questão é que foram inquiridas 250 pessoas, uma amostra, mas seria interessante o artigo mencionar se as 250 pessoas foram pessoas que participaram e estiveram na enchente das lojas, ou foram pessoas que deram meia volta quando viram filas e polícia à porta de algumas lojas? Não sendo a minha intenção criticar, serve apenas para reflectir sobre o assunto mas também como nos é apresentado.
No final é questionado um especialista que aponta uma campanha deste tipo como uma "bomba marketeira"...ora para mim nem todos os sucessos de marketing ficam conhecidos pelas melhores razões, tendo por vezes consequências que fazem reverter os objectivos iniciais.
As questões da Responsabilidade Social Corporativa ou Responsabilidade Social Empresarial, na sigla inglesa CSR, podem ser facilmente identificadas, sendo que os objectivos comerciais podem por vezes chocar de frente com os valores e posicionamentos das marcas e organizações.
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terça-feira, 20 de setembro de 2011
Revolução, Educação...Complicação?
Num artigo anterior, mencionava a necessidade de alteração de comportamentos para quem se candidata, frequenta e finaliza os seus cursos no ensino superior. Um problema que não se fica apenas no lado dos alunos, mas também nas instituições universitárias.
Hoje, no Diário Económico, li um artigo de Miguel Setas, intitulado "Inovação Educativa", que faz referência ao estudo da OCDE "Education at a glance 2011", divulgado recentemente. O autor sublinha que embora os resultados sejam positivos - mesmo em Portugal, um pouco acima da média - "não evidenciam que a maioria dos modelos educativos em vigor, mesmo nos chamados países desenvolvidos, não têm acompanhado a rápida transformação do mundo moderno." Mais à frente chama a atenção para a necessidade de uma revolução educativa que permita uma rápida adaptação á profunda transformação da sociedade, referindo os casos de sucesso de Singapura, Hong Kong, Coreia do Sul, entre outros, como "referências na adopção de sistemas mais inovadores."
Num outro artigo do Económico, sobre as licenciaturas com maior empregabilidade, é destacado o facto que os candidatos continuam a ignorar a empregabilidade na hora da escolha dos cursos. " A área de Ciências Sociais, Comércio e Direito foi a preferida pelos alunos no concurso de acesso ao ensino superior deste ano, com mais de 12 mil colocações, justamente uma das áreas com menor empregabilidade."
Em conjunto, estes dois artigos destacam a problemática do ensino em Portugal, não que os professores ou as instituições sejam incompetentes, mas os modelos usados estão ultrapassados, fora de contexto, e não impedem que os candidatos continuem a almejar áreas que não lhes dará grande futuro. Desconfio que esta problemática não é de agora, não está relacionadas com os dias de hoje, mas a crise e a falta de emprego apenas vem sublinhar mas, infelizmente, as questões mantêm-se.
Hoje, no Diário Económico, li um artigo de Miguel Setas, intitulado "Inovação Educativa", que faz referência ao estudo da OCDE "Education at a glance 2011", divulgado recentemente. O autor sublinha que embora os resultados sejam positivos - mesmo em Portugal, um pouco acima da média - "não evidenciam que a maioria dos modelos educativos em vigor, mesmo nos chamados países desenvolvidos, não têm acompanhado a rápida transformação do mundo moderno." Mais à frente chama a atenção para a necessidade de uma revolução educativa que permita uma rápida adaptação á profunda transformação da sociedade, referindo os casos de sucesso de Singapura, Hong Kong, Coreia do Sul, entre outros, como "referências na adopção de sistemas mais inovadores."
Num outro artigo do Económico, sobre as licenciaturas com maior empregabilidade, é destacado o facto que os candidatos continuam a ignorar a empregabilidade na hora da escolha dos cursos. " A área de Ciências Sociais, Comércio e Direito foi a preferida pelos alunos no concurso de acesso ao ensino superior deste ano, com mais de 12 mil colocações, justamente uma das áreas com menor empregabilidade."
Em conjunto, estes dois artigos destacam a problemática do ensino em Portugal, não que os professores ou as instituições sejam incompetentes, mas os modelos usados estão ultrapassados, fora de contexto, e não impedem que os candidatos continuem a almejar áreas que não lhes dará grande futuro. Desconfio que esta problemática não é de agora, não está relacionadas com os dias de hoje, mas a crise e a falta de emprego apenas vem sublinhar mas, infelizmente, as questões mantêm-se.
The Obvious Revolution
Orex SM
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