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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Processos disruptivos para inovar

Li há umas semanas um pequeno artigo de opinião no Diário Económico online, interessante. O texto em si falava, de certa forma, dos hábitos muito portugueses, das maiorias silenciosas, das manipulações conjunturais e de outras coisas. Coisas que, para mim, começam a ser demasiado aborrecidas, talvez mesmo cansativas, e uma verdadeira perda de tempo.
Nem sequer vou tocar nas questões chatas porque o texto relembrou-me logo de uma palestra numa conferência recente que assisti, onde se falava na criação de oportunidades, nos processos disruptivos na área dos negócios. Ora então saltando por cima dos queixumes e protestos esvaziados de sentido, a ideia com que fico é que numa época de crise como esta, em que temos realmente puxar por nós mesmos para chegarmos a algum lado, devemos perceber que dessa forma puxamos também por outros junto de nós, pela nossa comunidade, no fundo pela nossa cidade, pelo nosso País.
A ideia dos processos disruptivos passa pela questão que, tal como o sistema económico actual está falido, desactualizado, descaracterizado e longe da realidade e das reais necessidades, também o nosso quotidiano profissional é diferente, as necessidades são outras, as oportunidades criam-se com esforço, mas de forma diferente. É necessário quebrar, mudar, lutar por coisas diferentes, motivar-nos e não esperar motivação. É fundamental inovar, mais do que nunca. Devemos estimular e puxar pela criatividade e capacidade de inovação de todos, com base numa estructura sólida de comunicação, uma rede eficaz, com clareza e transparência. As organizações devem colocar aos colaboradores e funcionários, não só objectivos, mas também desafios, estimulando o espírito empreendedor de todos, a capacidade de luta e adaptação, quase despertar o espírito de sobrevivência, mas do ponto de vista profissional. Não é propriamente elevar a concorrência ao extremo, mas o empreendedorismo, mas de todos e em todos os níveis.
Uma ideia a ser trabalhada. 

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Teoria das fraldas borradas 2.0

Já há muitos meses tinha escrito uma versão diferente desta Teoria das fraldas borradas, o que depois de reler, resolvi fazer algumas modificações, ou melhor: escrever de outra forma, noutro sentido.

Questão simples: porque é que se mudam fraldas borradas? Porque simplesmente cheiram mal e tem de ser ou porque a criança, por variadíssimas razões, incluindo higiénicas, não deve andar borrada demasiado tempo? 

Em termos práticos, transpondo para o mundo económico e empresarial, a sustentabilidade deve ser trabalhada apenas por se tratar de uma oportunidade em termos de marketing e comunicação ou será uma questão mais abrangente e multifacetada?
Repare, tal como numa criança de fralda borrada, também um negócio ou uma organização tem várias necessidades para as quais existem várias soluções. Todas resolvem alguma coisa, mas apenas algumas são as mais eficazes, nem sempre as mais imediatas.
Para além da preparação que é fundamental, em termos das ferramentas e material necessário, e treino a mais é contraproducente, não vale a pena estar literalmente preparado para todas as eventualidades. Ou seja, não vale a pena andar com uma mochila com 2 quilos de fraldas, 3 marcas diferentes de toalhetes, 4 mudas de roupa, entre outras coisas, quando vamos até ao fim da rua beber um café. Facilmente perdemos demasiado tempo com preparações inúteis, ocupamos a nossa cabeça com questões fúteis e a eficácia perde-se quase totalmente pelo caminho. Por exemplo, no caso das fraldas, e falo por experiência própria, a mala ou mochila pode estar sempre pronta com o essencial para enfrentar as dificuldades principais: a eventualidade de mudar fraldas borradas!
Partindo assim de um exemplo que nada tem haver, o ponto onde quero chegar é que em termos de Sustentabilidade, a maioria das organizações promove acções pecando por excesso ou por defeito. Habitualmente por defeito. Quando pensamos na implementação da Sustentabilidade, estaremos a falar de políticas, de estratégias ou simplesmente acções pontuais. Estão todas relacionadas mas não são todas a mesma coisa. Isto nem sempre é claro. Voltando às fraldas, para que serve uma mala com todo o material topo de gama e sem saber o que fazer com ele? Mudar uma fralda e limpar com papel higiénico e colocar um pano enrolado, resolve até certo ponto, mas será eficaz e por quanto tempo? Pedir emprestado, comprar na hora? Tudo isso resolve alguma coisa de alguma forma, mas será uma boa estratégia?
Assim a Sustentabilidade deve ser pensada e planeada de forma adequada, começando por “O que é que precisamos fazer?” e não por “O que é que vamos fazer?”. Com este tipo de pergunta inicial chegamos facilmente ao tipo de ferramentas ou know-how necessário para atingir os nossos objectivos, conseguindo no processo identificar quais as formas de abordar e implementar a Sustentabilidade que façam sentido para o nosso modelo de negócio.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Do your duty: CSR in Arab World

My professional life requires a constant updating of the reality of various subjects, including CSR, and in that sense I came across some information about this topic in the Arab world. The theme in general is always very interesting and dynamic anywhere in the world, and this area of ​​the globe is no exception. In this theme the social aspect is central and therefore the search for information on cultural research becomes even more interesting. Another aspect, in my opinion, for this type of theme in a society increasingly globalized, is the need to learn and understand fairly different issues, cultural differences and factors that impact the implementation and operation of the CSR.
So when searching for information, through some contacts, I came across some issues I think are interesting to underline and analyze, and in this case, CSR in the Arab world.

Starting with some statistic from Ambreen Waheed and Faiz Shah article “Can Faith Build Competitiveness?”, included in AccountAbility’s “The State of Responsible Competitiveness 2007” report: «The fifty-seven member countries of the Organisation of Islamic Conference (OIC) are home to 20% of the world’s population. Between them they provide 70% of the earth’s energy resources, and 40% of the raw materials that global industry relies on. Yet the collective Gross Domestic Product of all OIC members put together accounts for less than 5% of the world’s GDP, and their mutual trade is a mere 7% of the volume of international business. It is not surprising then, that 31 out
of the 57 (54%) are classified as “least developed low-income” countries.» This citation gives us some data about the reality in the Arab or Islamic world. But some of you can start to question “can we even think in CSR issues in these countries, with these numbers?”   
To answer some of these questions we can look at the Second Annual CSR Middle East Survey, conducted by Sustainability Advisory Group (SAG) in 2010. One of the key conclusions from the survey is that regional businesses are increasingly recognizing that Corporate Social Responsibility (CSR) is a business imperative rather than a philanthropic add-on. Maria Sillanpaa, Founding Director of SAG, said the survey covered public and private sector organizations in eight countries in the region. More than 60 percent of the respondents are based in UAE and the rest are located in Saudi Arabia, Bahrain, Oman, Qatar, Yemen, Jordan and Egypt.

«We are clearly witnessing a shift in attitudes towards CSR in the region – previously CSR was perceived as a bit of a fringe issue, perhaps a ‘nice to do’ activity if time and resources allowed. Now executives are increasingly agreeing that it should be integral to their business strategies. We see this reassuring level of sophistication in the regional understanding of CSR as a sign of maturity and a wish to keep up with the powerful international trend.», said Sillanpaa. However, beside these positive signs, there are some issues not so important for businesses in the region, like environmental issues related to water, waste management and climate changes. But in an overall point of view «People issues such as employee well-being, health and safety, recruitment and retention, ethical practices, governance and transparency continue to be rightly recognized as the critical CSR issues businesses within the region must tackle.»
You might say: “OK, but where’s the different aspects?”, “What’s the point?”. Jumping to Sillanpaa’s “My Middle Eastern Sustainability Journey”, that highlights the religion aspects, with the dominant Islamic tradition. Sillanpaa writes: «Although corporate responsibility defined in a Western ‘modern’ sense is still in its infancy, some core ideas are not new to Arab cultures guided by a strict allegiance to Islam as a deep rooted sense of personal duty towards the community and wider society. Therefore the term ‘corporate responsibility’ is still often understood as synonymous with charity – an extension of individual Zakat (One of the Five Pillars of Islam that wants Muslims to donate part of his income to the poor and needy).» Some sources, like the 2007 background paper from “Corporate Social Responsibility and Corporate Citizenship in the Arab World” conference in Cairo, Egypt, say that «CSR has typically been introduced by multinationals, and passed on through subsidiaries in the region.» And if we think that Corporate Responsibility and Responsible Competitiveness are based on values, the search for values can lead us to culture and religious aspects. Going back to Waheed and Shah’ essay «that looks at the way Islam has sought to enshrine societal good within the paradigm of economic activity.» The authors add that «Islamic teachings seek to encourage the spirit of entrepreneurship, but define clear moral and societal limits, to prevent exploitation. Social responsibility is central to Islamic business principles, with well defined responsibilities for entering into contracts, guaranteeing quality, ensuring ethical dealings, and securing accountability.»

Recently, ArabCSR.org (The Arab Encyclopedia of CSR) announced that is to launch “The First Arab Social Responsibility Report” in 2011. ArabCSR.org chairman, Buthaina Hasan Al-Ansari, highlights that the importance and benefit of Arab Social Responsibility «deprive from its ability to entrench the values of CSR in the Arab region, which in its turn will support the national attitude of the countries seeking to accomplish the millennium goals». The report reveals the growth of SR initiatives in the Arab countries, and demonstrates the increasing importance of SR to nation leaders. It underlines some very good examples such as Saudi Arabia, with special attention to CSR activities supported by kingdom rulers. Qatar, that attained most of the Millennium Development Goals, and the launching of the first Arab network dedicated to social responsibility. The UAE, where SR gained an increasing importance over the last 5 years, adopting SR within the strategic view of the federal government. Egypt, with SR enhancing, highlighting the launching of Egypt’s CSR Index in 2010; and Syria, with an unprecedented attention of SR concept supported by launching CSR Syria network. The report doesn’t cover 7 of the 22 Arab countries due to lack of information.

Of course some of this information can start discussions about various points of view. But till now, in a general perspective, we can summarize most of the information as follows:
-     - The Arab world encompasses some regions and a number of countries with huge potential for growth and wealth, as statistics show;
-     - Religious and culture aspects can enhance CSR growth, making it more natural to evolve;
-     - CSR evolution started somehow with west influence, through west companies, but rapidly Arab social responsibility took it own course.

But one of the aspects that call out my attention was an article published in The National, a newspaper from the UAE, had the following title: “Do your duty is the message to business in Emirates”. The article written by Neil Parmar, covered the 8th CSR Summit in Dubai last April, and had an highlight that says «Companies urged to overcome cost fears and restore projects that help their employees». It called my attention because it focused on employees, it focused on employee’s related projects, and the need to concentrate efforts on that path. The author highlighted what experts were saying: «Businesses can start small socially responsible programmes by focusing on their own employees». And in the Summit’ advertising there was a phrase that means a lot in this theme, from Lebanese explorer Maxim Chaya: «there’s no profit without people or planet».

Just remember on so many CSR programmes, more focused on corporate priorities than on real Social Responsibility issues, some of them forgetting that organizations are about people and not profit, and if you still want to focus on profit, just remember Chaya’s phrase. Remember also that CSR can and should be based on values and culture values, and can even make some bridges with religious values, because their ultimately culture values. We can learn some much from others.

Bruno Slewinski
Orex SM | Sustainable Marketing
www.orexsm.yolasite.com

Em parte, um manifesto


A crise está perfeitamente instalada e nem sequer pediu licença para entrar. Em tempos difíceis, mas aplicável a qualquer situação momento, a melhor forma de sair é procurarmos a portas abertas e não as fechadas. Ou seja, para sairmos da crise temos de procurar as soluções e não ficarmos obcecados pelos problemas.
Obviamente que tratando-se da actual crise e olhando para o estado do nosso país, posso e devo apenas generalizar, porque é difícil e pouco justo falar de cada caso específico em tão poucas linhas.
Lendo os jornais, os noticiários das televisões, as reportagens na rádio, e toda a imensidão de material que pulula a internet, verificamos que a contestação social está a aumentar, a população começa a protestar, a fazer ouvir a sua voz. Sem dúvida que boa parte desta situação é altamente positiva, um sinal de uma democracia saudável, uma população que não está estagnada e adormecida mas bem informada e activa. Tudo isto é bom, mas tudo isto é fado.
Fado, uma forma de cantar singular, portuguesa de gema, mas em certos pontos de vista talvez um certo lamento, um certo manto negro sobre algo, uma lamentação, independentemente do conteúdo (uma definição demasiado afunilada, apenas como argumentação). E esse fado, essa lamentação é o que tenho visto mais por aí, pelo país fora, em toda a comunicação social. Vejo muitas pessoas a lamentarem-se por isto ou por aquilo mas poucas a fazerem alguma coisa por isso. Vejo centenas e milhares de pessoas empunhando cartazes, a marcharem ruas fora, mas muito poucas a demonstrarem vontade de fazerem algo para mudarem o estado das coisas. Vejo centenas de comentários sobre como as coisas estão, mas muito poucos sobre como as coisas deveriam estar.
O foco está quase a 100% no problema, deixando pouca margem para solução.
A questão não está no “se formos fazer” mas no “como vamos fazer”. Já não se tratar de boas intenções, mas efectivamente da criação de valor, e esse valor não está circunscrito apenas aos negócios e ao meio empresarial. A criação de valor está em primeiro lugar ao nível individual, ao nível pessoal, de cada um de nós. Não se trata de positivismo mas de força vontade.
Não pretendo criticar mas fazer sim uma avaliação crítica da situação e, tentando ir mais longe ainda, procurar e identificar soluções, evitando a simples concentração nos problemas. Vamos continuar a comentar ou começar a fazer alguma coisa por isto?
Claro que há casos, e provavelmente muitos, de pessoas ou grupos de pessoas que não podem ou não conseguem fazer alguma coisa por isso, mas com certeza absoluta que alguém ao lado pode. Não se trata de voluntariado ou caridade, mas empowerment. Preferem esperar que alguém faça algo por vocês ou vão já tratar do assunto? Estão à espera que alguém vos dê algum poder de decisão ou vão procurar ferramentas para lá chegarem? Deixar que os outros decidam e façam por nós levou-nos ao estado actual em que vivemos, será que é isso que queremos?
Mais do que dizer neste preciso momento o que A ou B pode ou deve fazer, o que a vizinha do C ou o primo do D querem, porque não começar exactamente pela forma de pensar, pela nossa postura, a nossa abordagem aos problemas? Trocar a palavra pela acção, a indignação pela reacção, a estagnação pela revolução, o protestar pelo trabalhar, são apenas alguns exemplos. Nada disto impede nem retira qualquer direito à indignação, liberdade de expressão ou manifestação, mas pretende uma visão mais pró-activa, mais positiva, mais produtiva.
Tal como uma famosa expressão de John Kennedy: “Não perguntes o que o país pode fazer por ti, mas o que podes fazer pelo país.” Porque não, já experimentaram?

Bruno Slewinski
Orex SM | Sustainable Marketing
www.orexsm.yolasite.com

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Sustainability, Marketing and Strategy

If you observe generally how Sustainability is understand and worked you'll get the impression that it's some sort of theme or subject that companies have to treat briefly at certain times. Like initiatives that the company management has only to worry in that time, not a continuous act. Sustainability initiatives are treated like campaigns, like advertising, like PR actions and so on.
But Sustainability is a lot more than all that. If you go back to the purest definition you have to understand it as the ability to everything necessary to meet current demands looking after to future needs, being flexible enough to  quickly adapt to meet future changes. You can only work with this on a global strategy, with the whole package, looking to the whole picture.
More, due to many specific characteristics, Sustainability has a lot of strategy, innovation and development, so it makes no sense to work it like punctual advertising campaign or PR initiatives. Sustainability it's the strategy, not a piece of it. You have to start looking to Sustainability as integrated strategy, a strategic development, planning the whole business strategy with Sustainability integrated in a natural way.
Last but not least, looking to the strategic point of view you can't ignore the importance of the Marketing role within this subject, because Marketing is the intelligence core of the company, Marketing is the main tool of the strategy planning and implementation, and is the company's communication HQ, with the ability to reach out all the stakeholders.

So what are you waiting for?

The Obvious Revolution
Orex SM
www.orexsm.yolasite.com 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O caso da Sicasal e o Consumo Responsável

Em meados do mês de Novembro ocorreu um grande incêndio nas instalações da Sicasal, afectando gravemente a fábrica e a respectiva capacidade de produção da empresa. A solução encontrada pelos responsáveis em conjunto com os colaboradores da empresa demonstraram uma postura fantástica, provando como se pode trabalhar com objectivos em comum para um bem maior.
Para além dos excelentes exemplos que foram sendo apresentados por parte dos stakeholders da Sicasal, ao mesmo tempo surgiu uma campanha de apoio à empresa onde se instigava os consumidores em geral a comprarem produtos da Sicasal, ajudando dessa forma a empresa a reerguer-se quase das cinzas. Também essa campanha foi um exemplo de louvar e de participação da sociedade portuguesa em prol de uma boa causa.

Mas entre estas boas causas, especialmente em época de crise, fiquei a pensar numas pergunta que me vieram à cabeça: mas só se promove a compra de produtos de uma empresa portuguesa quando a fábrica arde? Mas será preciso arderem instalações, acontecerem desastres naturais, acidentes inesperados, para a sociedade portuguesa ficar mais sensível ao consumo de produtos portugueses, ao consumo de produtos made in Portugal? Não será mais eficaz e benéfico para todos

Sem dúvida que parte da sustentabilidade da nossa economia passa pela contribuição do tecido empresarial português em produzir com qualidade, mas também da parte dos consumidores em consumirem produtos e serviços portugueses. A noção de consumo responsável também passa por este tipo de questões. Dentro da noção do consumo mais ponderado, consumir de forma objectiva, pensada e planeada, promove um ciclo de consumo que começa pelo consumidor que adquire um produto de qualidade que no final ao beneficiar a empresa produtora (sem contar com os intermediários e pontos de venda) promove condições para futuros benefícios para si mesmo. Uma economia mais forte e com crescimento sustentado beneficia todos em geral, uma sociedade, um país.

The Obvious Revolution
Orex SM
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Os paradoxos da Sustentabilidade

«A sustentabilidade converteu-se no jargão mais actual do mundo corporativo. A sociedade, os nossos filhos, cobram-nos isso. Mas o facto é que quando escalamos do nível corporativo para o nível macro, a sociedade rejeita a ideia de abdicar do desenvolvimento económico, no modelo que hoje conhecemos, para conter emissões poluentes e proteger o nosso planeta. Por um lado, exigimos que as empresas sejam ambientalmente responsáveis, indignamo-nos com os derrames de petróleo no alto mar, mas por outro, prosseguimos com uma explosão demográfica e com um consumo desenfreado que sugam os recursos naturais e criam a procura por mais energia. Não será este um desenvolvimento insustentável? Não será o caminho da insustentabilidade, em vez do da pretendida sustentabilidade
Neste excerto do artigo "Insustentabilidade" de Miguel Setas no Económico Online são levantadas algumas questões sobre os paradoxos da sustentabilidade na sociedade em geral. Bem sublinhadas pelo autor, mostram como a sustentabilidade ainda enfrenta grandes obstáculos com base cultural, com base em comportamentos sociais que são possíveis de corrigir e/ou melhorar, mas desde que os problemas sejam tratados com foco nas soluções e não nas dificuldades em trabalhar os mesmos.
Estas notas demonstram também como as iniciativas do universo empresarial, embora bem intencionadas, são insuficientes para que o desenvolvimento sustentável seja uma realidade mais presente, mais consolidada e em velocidade de cruzeiro. 

A percepção e comportamento do consumidor não são lineares e também dependem bastante da postura e posicionamento das empresas relativamente ao consumo responsável e seus impactes. As diferenças da forma como o consumidor percepciona a temática e como se comporta em ambiente de consumo dão uma boa imagem do que tem de ser trabalhado. Sabemos que ainda temos muito que fazer, tal como em todas as áreas de actividade, mas as dificuldades não devem funcionar como travão, mas como alavanca para melhorar e chegar mais longe. Cada vez mais longe.


The Obvious Revolution
Orex SM
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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A (des)União Europeia: exemplos para as lideranças organizacionais

O resultado da falta de entendimento dentro da (des)União Europeia é um exemplo claro de como não se devem fazer as coisas, tanto em termos de liderança como em termos de gestão. Em sentido figurativo é como ver alguém que caiu em areias movediças e, em vez de reflectir no melhor a fazer e ficar bem quieto, pelo contrário, não pára de espernear.
A falta de diálogo numa estrutura cria ruído, causa entropia, promove até a cacofonia, mas no fundo, cria instabilidade e destrói a solidez necessária numa rede que deve ser apertada e segura, ou pelo menos transmitir segurança.
Em todas as situações de crise temos sempre que procurar o lado ou os pontos positivos. Nesta situação da UE, um dos pontos é sem dúvida de mostrar exactamente aquilo que não deve ser feito, nunca.
Estas constantes crises dentro de crises revelam-se como excelentes exemplos e como objecto de estudo para as lideranças empresariais e organizacionais, especialmente do que não devem fazer, de como não devem actuar.

Apesar de uma chuva de críticas ao longo dos últimos tempos - embora não sejam apenas questões recentes - as liderenças europeias insistem em tentar resolver problemas sem ter em conta como se pode chegar a um entendimento. Logo de início, numa tentativa de acordo ou entendimento, se começamos logo por impor condições não estamos propriamente à procura de um real entendimento. Claro

Questões quase óbvias para o comum mortal, situações que começam mal têm de acabar mal. Ao passarmos os olhos pela imprensa verificamos afirmações como a de António Mexia, CEO da EDP dizendo que os «líderes europeus escolhem sempre a solução errada»; ou a opinião com peso significativo de Jean Claude Juncker apontando que «a imagem da Zona Euro no exterior é desastrosa porque não estamos a dar um bom exemplo de liderança», falando sobre as tentativas infrutíferas de resolução da crise grega. Exemplos de recuos desajustados e com péssimo timing como a suspensão das negociações a meio do processo, provocando ondas de choque que acabam por aumentar o problema, ou a falta de controlo sobre questões comunicacionais como os editoriais do day after na comunicação social inglesa, como é o caso do Guardian. Podemos ainda acrescentar presságios e sermões catastróficos de Nouriel Roubini, ou outros tantos avisos mais ou menos radicais.

Na minha opinião, as ilações que podem ser tiradas da gestão (ou falta dela) da crise por parte das lideranças europeias, demonstram como liderar não é apenas tomar decisões, sem ter noção dos impactes dessas mesmas. Sejam corretas ou erradas, qualquer passo de uma liderança influenciará sempre todas a sua envolvente, todas as partes interessadas (usando termos da Sustentabilidade). Lideranças colaborativas ou que têm de funcionar em conjunto devem perceber quais os objectivos comuns e não apenas os seus próprios. Imaginem dentro de uma empresa, os vários departamentos s estarem apenas preocupados com os seus problemas e não agirem no sentido do bem comum, o da organização.

Como conclusão, o simples facto de se chamar União Europeia é por si só um paradoxo.

Orex SM

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Responsabilidade Social do Sector Público Empresarial


As questões de Responsabilidade Social Corporativa ou de Responsabilidade Social podem e devem extrapolar para além da esfera empresarial. Mas mesmo dentro desta esfera não são apenas questões de iniciativas ou intenções, mas questões relacionadas com o impacto social – negativo ou positivo – da actividade de uma empresa. É bom perceber que boa parte da actividade de qualquer organização tem impacto ao nível social e não só, claro. Por muito óbvio que isto possa parecer a realidade mostra que embora até se possa dizê-lo, não o fazem certamente.
Para explicar melhor esta ideia vou exemplificar com o recurso ao contexto da situação de Portugal a vários níveis, com algumas questões para reflexão sobre os respectivos impactos sociais. 
Na passada quinta-feira, dia 13 de Outubro, o Primeiro-Ministro português, na apresentação do novo orçamento de estado, enunciou mais uma série de medidas de austeridade, especialmente violentas. As medidas passam pela redução, corte de salários e benefícios, aumento de impostos, alargamento da carga horária de trabalho, entre outras. Como se calcula – e não é necessário conhecer a realidade do país – medidas como estas afectam brutalmente a maioria da população, ou seja, têm consequências ao nível social, mas também ao nível da economia.

Casos:

Num relatório recente, onde foram avaliadas a maioria das grandes empresas públicas portuguesas - grande parte delas com prejuízos crónicos – verificou-se que os custos mensais por colaborador em 12 empresas, em média são de 3.500 euros. Em duas outras o salário médio é ainda superior. Comparando com o salário médio bruto dos portugueses, que é de 900 euros, a questão pode tornar-se chocante. Mas o problema nem está nesta comparação, mas na constatação que estas empresas não têm receitas próprias suficientes sequer para os custos com pessoal, quanto mais para a totalidade das despesas. Sendo esta uma lógica de gestão completamente absurda, implica automaticamente uma situação insustentável.
Viver acima das reais possibilidades foi o que o Estado português e as famílias fizeram nos últimos anos, resultando na situação actual do país.
Neste exemplo, se pensarmos ao nível da Responsabilidade Social, podemos verificar que os colaboradores destas empresas até podem ter boas regalias e condições, uma minoria de qualquer forma comparando com o impacto social negativo gerado por esta postura empresarial. Estas condições irrealistas, face à realidade da organização, geram um impacto que vai muito para além da própria actividade, desequilibrando as despesas do Estado, afectando os contribuintes em geral e, em última instância, os próprios colaboradores beneficiados que sofrerão mais tarde ou mais cedo as consequências, para além da criação de falsas espectativas aos mesmos e a outros interessados.

Outro caso, mais internacional. A questão do impacto social das agências de rating. No caso português na última alteração de rating da república, o país foi confrontado com uma descida de 4 níveis. Não questionando directamente as razões da decisão, coloco na mesa se essas decisões não deveriam ter em conta o impacto social das mesmas?
O rating de uma empresa que paga para ver a sua condição avaliada é uma coisa e tem impactos mais restritos. Ora o rating de um país deve ser ponderado de forma diferente, especialmente à luz de questões sociais. Qual a Responsabilidade Social dessas avaliações e como é que pode ser avaliada? Será que o impacto dessas decisões é realmente analisado? Não estará na altura de começar a pensar no impacto social de actividades que afectam países e populações inteiras? Se os ratings são por defeito produzidos como referência para investimentos e investidores, não deveria o impacto e os riscos estarem confinados a esse âmbito. Provavelmente não é possível, mas o âmbito das avaliações das agências de rating deveriam ter em conta o próprio impacto da decisão, porque ao desvalorizar determinado rating as consequências são sempre maiores, mais abrangentes, para além do seu nível financeiro, económico e social.

Outro caso, cruzando informação recente do Eurostat relativa a 2010, onde é indicado que dos 27 países da União Europeia, Portugal tem apenas 5 países menos produtivos. Isto é mais relevante ainda se verificarmos que em Portugal trabalham-se mais horas que a média europeia. Assim, uma das medidas implementadas pelo actual Governo português foi o alargamento da carga horária de trabalho para o sector privado. Terá as suas vantagens e pode aumentar a produtividade e competitividade.
Ora aqui as questões pertinentes de CSR estão tanto para o lado da responsabilidade das empresas na mudança, como para o lado dos trabalhadores que terão de ganhar consciência da importância da produtividade, podendo apostar-se num misto de responsabilidade mútua ou complementar.
Outro caso ainda, relacionado com situações que facilmente se desequilibram, porque em vez de se apostar em fornecer meios e ferramentas para um caminho sustentável e equilibrado, pelo contrário são fornecidos meios e condições para o total desleixo. É o caso de um relatório de auditoria do Tribunal de Contas, relativamente à gestão das administrações dos hospitais públicos, onde são referidas várias questões sobre o sistema remuneratório dos membros das administrações. Logo, uma das questões pouco claras é que são os próprios a definir as suas remunerações, mesmo que balizados por estatutos, mas que dificilmente conseguem gerir sustentavelmente, quando o desequilíbrio começa neles próprios. Outra é quando alguns médicos desses hospitais recebem mais do que o dobro que os administradores. Não estando em causa a justiça de determinadas pessoas ganharem bem, a questão está, mais uma vez, no equilíbrio entre as receitas e os custos/despesas.
Em termos de Responsabilidade Social no sector público, especialmente na área da saúde, na gestão de hospitais, quando a prioridade parece ser a gestão e não a assistência de quem precisa. Como se pode colocar o CSR a este nível? Quais as responsabilidades?
Por último, de referir que, em termos de justiça, pela primeira vez fala-se verdadeiramente em procurar saber quem e como tem estado a contribuir para o desequilíbrio das contas públicas. Embora ainda seja algo no campo das intenções, a forma como é afirmado já, só por si, é extremamente positivo. Sendo possível a identificação parte das causas e dos problemas é também, só por si só, uma grande forma de Responsabilidade Social. 

The Obvious Revolution
Orex SM

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Public Business Social Responsibility


Social Responsibility issues can and must extrapolate beyond the business universe. It's not something only for the private business sector, it apllies also to the public business sector. But even within this universe there are not only matters of initiatives or intents, but issues related to social impact - positive or negative - of a company's business. It’s good to note that most of any organization’s activity has an impact on social level and beyond, of course. However much of this may seem obvious, but the reality is that even though we they talk about it, certainly do not practice it.
To better explain this idea I will illustrate using the context of the in Portugal at various levels, with some questions for reflection on their social impacts.
This past Thursday, October 13, the Portuguese Prime Minister, presented the new state budget, expressing a series of austerity measures, especially violent. The measures include reducing wages and cutting benefits, raising taxes, increasing the workload, among others. How to calculate - and it’s not necessary to know the country’s reality – the way measures such as these affect brutally most of population, or have consequences at the social level but also at the economy’s level.

Cases

A recent report, evaluating most of large public Portuguese companies - most of them with severe losses - found that the monthly costs per employee in 12 companies on average are 3.500 Euros. Other two were even above that salary average. Compared with the Portuguese gross average wage, which is 900 Euros, the issue can become shocking. But the problem is not in this comparison, but the finding that these companies do not have enough income to even support their personnel costs, much less all costs. Since this is an absurd on management logic, automatically infers an untenable situation.
Portuguese State and Portuguese families have in recent years living beyond their real financial resources, resulting in the country’s current situation.
In this example, if we think in social responsibility issues, we can see that these companies’ employees may even have good benefits and conditions, a minority in any way compared to the negative social impact caused by this business posture. These conditions are unrealistic, given the reality of the organization, cause an impact that goes far beyond the activity itself, upsetting expenses, and affecting taxpayers in general. Ultimately the benefit employees will suffer consequences sooner or later, as well as creating false expectations for themselves and others interested.

Another case, more international, related to the social impact of rating agencies. In Portugal’s case, with last rating downgrade, the country was faced with a 4 level fall. Not questioning directly the reasons for this decision, I’ll throw it for discussion, if these decisions should not consider their social impact?
Rating a company that pays to see their condition evaluated is one thing and has more limited impact. Now a country’s rating should be weighted differently, especially because of social issues. What is the Social Responsibility of these assessments and how can it be assessed? Does the impact of these decisions is really considered? Is it not time to start thinking about the social impact of activities that affect entire countries and populations? If the ratings are produced by default as a benchmark for investments and investors, shouldn’t the impact and risks be confined to this area? Probably it’s not possible, but the scope of rating agencies assessments should consider the actual impact of the decision, because the effects of the rating downgrade are always bigger, broader, beyond its financial, economic and social development.

One case, crossing recent
Eurostat information, where it is pointed out that in 2010, Portugal has only five countries less productive, within the 27 European Union countries. This is even more relevant knowing that in Portugal people work more hours than the European average. Thus, one of the measures imposed by the current Portuguese government is the extension of working hours for the private sector. This has its advantages and can increase productivity and competitiveness. But the relevant SR issues on this subject are on both sides, from corporate responsibility for a change, to the workers who will have to become more aware of the importance of productivity. In the end, investing all in a mix of mutual or complementary responsibility.

Another case, also related to situations that can easily become unbalanced, in this case because instead of investing in means and tools for a sustainable and balanced way, on the contrary, means and conditions are provided for total neglect. This is the case of an audit report of the Court of Auditors on the management of Portuguese public hospitals administrators, which are referred to several questions about the wages system of the administration members. Soon, one of the issues is unclear which are to set their own fees, even if delimited by statute, but that are unable to manage sustainably, when the imbalance begins in them. Another is when some doctors of these hospitals receive more than double those administrators. Not being into question the fairness of certain people to make good, the question is, once again, the balance between revenue and costs/ expenses.
About social responsibility in the public sector, especially around
​​health, hospital management, when the priority seems to be the management and not to those who need aid. How can you put CSR at this level? What are the responsibilities?

Finally, please note that, in terms of justice, for the first time, authorities are speaking to find out who and what has been contributing to public accounts imbalance. Although it is still something in the intentions field, the way it is stated already, in itself, is extremely positive. Where possible, the problems cause identification and for itself, is a great way for Social Responsibility

The Obvious Revolution
Orex SM